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La Rioja é a mais pequena das comunidades autónomas de Espanha continental — uma única província espremida entre o País Basco, Navarra, Castela e Leão e Aragão — e talvez a mais concentrada em identidade: quase tudo o que a define cabe no vale estreito que o rio Ebro talha entre a Sierra de la Demanda, a sul, e as serras de Cantábria e Toloño, a norte. É esse corredor, com pouco mais de cem quilómetros de comprimento, que junta o clima atlântico húmido das terras altas ao ar mais seco e mediterrânico da Rioja Baixa, a jusante, produzindo microclimas que os enólogos discutem com o mesmo cuidado dos geógrafos. Logroño, a capital, situa-se a meio deste eixo e funciona como porta de entrada natural — mas a região estende-se bem para lá dela.
Terra de vinho e de peregrinos
O nome La Rioja está indissociável do vinho: é uma das duas denominações de origem qualificada (DOCa) de Espanha, ao lado do Priorat, com vinificação documentada desde a Idade Média nos mosteiros da região. A área tradicional divide-se em três sub-zonas — Rioja Alta, Rioja Alavesa (já em território basco, mas parte da mesma denominação) e Rioja Oriental — e concentra-se sobretudo em Haro, a cerca de meia hora de Logroño, onde o Barrio de la Estación reúne algumas das adegas históricas mais antigas de Espanha, erguidas junto à linha ferroviária que no século XIX escoava o vinho para o resto da Europa. A região é também etapa central do Caminho de Santiago Francês, que atravessa Nájera e Santo Domingo de la Calzada antes de seguir para Burgos — duas vilas medievais com catedrais e albergues de peregrinos que mantêm vivo o ritmo do Caminho há quase mil anos. Perto dali, o mosteiro de San Millán de la Cogolla, património mundial da UNESCO, guarda um lugar simbólico ainda maior: foi ali que surgiram as Glosas Emilianenses, os primeiros registos escritos conhecidos em castelhano, o que faz deste canto de La Rioja um berço reivindicado da própria língua espanhola.
Serra, planície e mesa
A paisagem muda depressa conforme se sobe em altitude: dos vinhedos em socalcos junto ao Ebro até às aldeias de montanha da Sierra de la Demanda, como Ezcaray, onde a economia troca a vinha pelo turismo de neve e pelas caminhadas de verão. A leste, a Rioja Baixa tem um caráter mais mediterrânico e agrícola, com hortas de pimentos e espargos em torno de Calahorra — cidade de origem romana onde nasceu o retórico Quintiliano — e Arnedo, historicamente ligada à indústria do calçado. A cozinha regional segue esta geografia dupla: os pratos de montanha, como as patatas a la riojana com chorizo ou as pochas com codornizes, convivem com as hortaliças da planície do Ebro, sobretudo os pimentos assados e os espargos brancos, enquanto as chuletillas de cordeiro grelhadas ao sarmiento — sobre lenha de vide — resumem uma cozinha que não se afasta muito da terra que a alimenta. É uma região pequena para se percorrer de carro em poucos dias, mas com registos bem distintos consoante se fica junto ao rio, se sobe à serra ou se segue para leste — e Logroño, no centro de tudo isto, continua a ser o ponto lógico a partir do qual organizar a visita.