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Uma fronteira de fronteiras
O Maestrazgo é o nome histórico de uma faixa de montanha que nunca coincidiu com uma única província: estende-se pelo interior de Castelló, sobe até Teruel, em Aragão, e roça a ponta sul da Catalunha, ocupando as últimas dobras do Sistema Ibérico antes de estas caírem para o Mediterrâneo. O nome vem dos mestres das ordens militares e religiosas — sobretudo a Ordem de Montesa, do lado valenciano — que receberam estas terras após a Reconquista e as organizaram em torno de castelos e vilas fortificadas. Séculos depois, foi também aqui, nas serras entre Morella e Cantavieja, que se travaram alguns dos episódios mais duros das Guerras Carlistas do século XIX, com o general Ramón Cabrera a ganhar a alcunha de "Tigre do Maestrazgo". O resultado dessa história é uma paisagem de altiplanos calcários, barrancos profundos e aldeias de pedra empoleiradas em cristas rochosas, hoje entre as zonas menos povoadas de toda a Espanha — parte do que se convencionou chamar "Espanha vazia".
Para lá de Morella
Morella, murada e coroada de castelo, é a vila mais visitada e a capital histórica de Els Ports, mas é só uma porta de entrada para uma constelação de povoações igualmente medievais e muito menos conhecidas. Ares del Maestrat ocupa outro penhasco isolado; Culla e Catí conservam traçados quase intactos desde a Idade Média; Sant Mateu foi durante séculos a capital administrativa de todo o Maestrat valenciano; Mirambel e Cantavieja, já em território de Teruel, têm praças porticadas praticamente congeladas no tempo. Vilafranca, a povoação mais alta da Comunidade Valenciana, e Vistabella del Maestrat ficam aos pés do Penyagolosa, o cume mais alto da região e destino de uma romaria centenária. Estradas estreitas e sem trânsito ligam estas aldeias entre si, e a maior parte não tem comboio nem, em muitos casos, transporte público relevante — visitar o Maestrazgo é, para todos os efeitos, uma viagem de carro.
Clima de serra, mesa de serra
O clima é continental de montanha, com invernos frios e nevados e verões secos e quentes, mas sempre com noites frescas por causa da altitude — a maior parte das vilas fica entre os 800 e os 1200 metros. É esse frio que explica a cozinha: cordeiro e caça, embutidos de matança, migas e sopas de pastor, mel de serra e a trufa negra que se apanha nos carrascais entre novembro e março, com Morella como epicentro mas colheita espalhada por toda a comarca. Vale a pena somar dias: quem for ao Maestrazgo só para ver uma vila fica com meia história — a outra metade está nas estradas secundárias e nas aldeias que ninguém pronuncia bem à primeira.