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Castilla-La Mancha estende-se pelo planalto que ocupa o centro-sul da Península Ibérica, entre Madrid e a Andaluzia — cinco províncias (Toledo, Ciudad Real, Cuenca, Guadalajara e Albacete) que somam mais de 79 mil quilómetros quadrados, uma das maiores áreas autonómicas de Espanha e uma das menos densamente povoadas. É a paisagem que Miguel de Cervantes emprestou a Dom Quixote: horizontes rasos, terra ocre, vinhedos que se perdem na distância e, aqui e ali, a silhueta branca dos moinhos de vento que ainda coroam colinas como as de Consuegra e Campo de Criptana. O nome da comarca central, La Mancha, vem provavelmente do árabe al-mansha, "terra seca" — e a etimologia não engana: o clima é continental extremo, com verões que ultrapassam com facilidade os 35°C e invernos secos e gélidos, entre as maiores amplitudes térmicas diárias de Espanha.
Toledo, erguida sobre um meandro do rio Tejo a pouco mais de 70 quilómetros de Madrid, é o ponto de entrada natural na região — antiga capital visigótica e depois cristã, onde a convivência entre as culturas cristã, muçulmana e judaica deixou um centro histórico classificado pela UNESCO. Mas a região que a rodeia tem identidade própria e raramente entra nos itinerários que se limitam à cidade.
Vinha, açafrão e queijo
Castilla-La Mancha é, por área plantada, a maior região vinícola do mundo — a Denominación de Origen La Mancha atravessa Toledo, Ciudad Real, Cuenca e Albacete, e a produção de vinho tem sido o motor económico do planalto há séculos. O açafrão, cultivado sobretudo em torno de Consuegra, deu origem a uma denominação de origem própria e a uma das colheitas mais trabalhosas da agricultura europeia, com cada flor colhida e desfiada à mão. O queijo manchego, feito com leite de ovelha de raça autóctone, é talvez o produto mais conhecido da região fora de Espanha. Na mesa dominam pratos de fundo rústico: o pisto manchego, um refogado de legumes e tomate; as migas de pastor; o gazpacho manchego, um guisado de caça sem qualquer relação com a sopa fria andaluza; e as berenjenas de Almagro, beringelas em salmoura que também têm denominação de origem protegida.
Comarcas para lá de Toledo
A região reparte-se em paisagens bem distintas. A Serranía de Cuenca, a nordeste, contrasta com a planície pelo relevo calcário esculpido pela erosão — a Ciudad Encantada é o exemplo mais visitado — e pela cidade de Cuenca, cujas casas suspensas sobre a garganta do rio Huécar lhe valeram também a classificação da UNESCO. A comarca da Alcarria, em Guadalajara, é terra de mel e olivais, tornada literária pelo relato de viagem de Camilo José Cela. Os Montes de Toledo, a sul da capital provincial, abrigam o Parque Nacional de Cabañeros, uma das maiores extensões de dehesa mediterrânica preservada da Península, enquanto as Tablas de Daimiel, em Ciudad Real, protegem uma rara zona húmida no interior seco espanhol. Almagro, também em Ciudad Real, conserva um dos poucos corrais de comédias do século XVII ainda em funcionamento, palco de um festival de teatro clássico que atrai companhias de toda a Europa. É uma região que se percorre sobretudo de carro, entre planície e serra, com Toledo como base natural — mas sem se esgotar nela.