1 destino para explorar
Aragão estende-se do teto dos Pirenéus até às terras áridas de Teruel, cortado ao meio pelo vale do Ebro. É uma comunidade autónoma de três províncias com temperamentos geográficos muito diferentes — Huesca a norte, Zaragoza no centro, Teruel a sul — unidas mais pela história comum do que pela paisagem. Zaragoza, a capital, concentra a maior parte da população e da atividade económica da região, e funciona como o ponto de partida natural para quem quer explorar o resto do território: está ligada por alta velocidade tanto a Madrid como a Barcelona, cada uma a pouco mais de uma hora.
Entre montanha e estepe
A norte, a fronteira com França segue a linha dos Pirenéus aragoneses, com picos acima dos 3000 metros e o Parque Nacional de Ordesa y Monte Perdido, cujo maciço calcário integra a lista de Património Mundial da UNESCO partilhada com França. É zona de vales profundos, estações de esqui como Formigal e Candanchú, e vilas de montanha como Jaca, antiga capital do reino medieval e ponto de passagem do Caminho de Santiago aragonês. Mais a sul, a paisagem muda radicalmente: a província de Teruel tem uma das densidades populacionais mais baixas de toda a Europa, um clima continental extremo — invernos rigorosos, verões secos, amplitudes térmicas acentuadas — e uma sucessão de estepes e badlands que raramente aparecem nos itinerários turísticos habituais. O clima geral da região segue este mesmo contraste: o vale do Ebro, onde se situa Zaragoza, sofre o cierzo, um vento de noroeste frequente e intenso que seca o ar e agrava tanto o calor de julho e agosto como o frio do inverno.
Mudéjar, vinho e um reino que já foi coroa
A identidade aragonesa tem raízes na Coroa de Aragão medieval, que uniu este território a Catalunha e, mais tarde, através do casamento de Fernando de Aragão com Isabel de Castela, lançou as bases da Espanha moderna. Desse período restam os conjuntos mudéjares de Teruel e Zaragoza, também reconhecidos pela UNESCO — torres e igrejas construídas por mestres muçulmanos ao serviço de encomendadores cristãos, um estilo que só existe nesta parte da Península. Vale a pena procurar Albarracín, vila de casas cor de terra suspensa sobre um meandro do rio Guadalaviar e considerada uma das mais bem preservadas de Espanha, ou Sos del Rey Católico e Daroca, ambas com muralhas e traçado medieval intactos.
À mesa, Aragão tem denominações de origem próprias: o ternasco, cordeiro jovem criado em pastagens de sequeiro; o presunto de Teruel, o primeiro DOP de jamón do país; o pêssego de Calanda; e trufa negra da zona de Sarrión, uma das maiores produtoras da Europa. Os vinhos vêm sobretudo de duas denominações — Cariñena, uma das mais antigas de Espanha, e Somontano, mais recente e voltada a variedades internacionais. É uma gastronomia de interior, robusta, pensada para climas extremos, e que raramente se cruza com o roteiro costeiro que domina as viagens a Espanha.