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A Cantábria é a mais estreita das comunidades autónomas do norte de Espanha — uma faixa que vai do mar ao pico em poucos quilómetros. A capital, Santander, olha para o Atlântico com praias urbanas e um passeio marítimo que ficou na moda no século XIX, quando a família real espanhola escolheu a cidade como retiro de verão e construiu o Palácio da Magdalena sobre a península que ainda hoje domina a baía. A partir daí, a costa desenrola-se em falésias, rias e vilas de pescadores — Santoña, com as suas anchovas de denominação de origem; Castro Urdiales, mais próxima do País Basco; San Vicente de la Barquera, com a ria mais fotografada da região — antes de a terra subir depressa para os Picos de Europa, no extremo sudoeste, partilhados com as Astúrias e Castela e Leão, onde o teleférico de Fuente Dé leva a mais de 1800 metros de altitude em poucos minutos.
Uma paisagem que a chuva mantém verde
A Cantábria pertence ao que em Espanha se chama "España Verde": clima atlântico húmido, sem estação seca definida, chuva distribuída por praticamente todos os meses e uma vegetação que contrasta com o interior seco do país. É essa humidade que sustenta os vales pastoris do interior — a comarca de Liébana, à volta de Potes, é a porta tradicional de entrada nos Picos de Europa — e que também explica porque a região vive tanto do mar como da montanha: queijos como o Picón Bejes-Tresviso, um azul de caverna curado em cavidades cársicas, convivem na mesa com o peixe da lota de Santander.
Grutas, indianos e uma vila que resume a história da região
O subsolo calcário da Cantábria guarda uma das maiores concentrações de arte rupestre paleolítica da Europa, reconhecida pela UNESCO num conjunto que inclui grutas como El Castillo, em Puente Viesgo, e sobretudo Altamira, cujos tetos pintados há mais de 36 mil anos lhe valeram o apelido de "Capela Sistina" do paleolítico. É junto a essa gruta — hoje fechada ao público, substituída por uma réplica junto ao museu — que fica Santillana del Mar, vila medieval de pedra que funciona como o ponto de partida mais óbvio para conhecer a região: comprida o suficiente em história para contar a Cantábria rural anterior ao turismo, e perto o suficiente da costa e da Liébana para servir de base a quem quer ver mais do que uma vila.
A outra camada histórica visível na arquitectura regional vem dos "indianos" — emigrantes que partiram para as Américas no século XIX e regressaram enriquecidos, deixando mansões coloniais em vilas como Comillas, onde Gaudí construiu o seu único edifício cantábrico, o Capricho. Entre o cocido montañés dos vales, as anchovas da costa e os sobaos e quesadas pasiegas das pastelarias do interior, a Cantábria come-se tanto como se percorre: em camadas, do litoral à serra.