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Da Marina Alta à Vega Baja
A Costa Blanca é o litoral da província de Alicante, quase 200 quilómetros de costa mediterrânica dividida em comarcas com personalidade própria. A norte, a Marina Alta junta Dénia — porta de ferry para as Baleares — a Xàbia e a Calpe, onde o Peñón de Ifach, um penhasco calcário de origem vulcânica com quase 350 metros, se ergue diretamente do mar dentro de um parque natural. Mais a sul, a Marina Baixa reúne o contraste mais citado da região: Benidorm, com o seu perfil de arranha-céus e turismo de massas desde os anos 1960, a poucos quilómetros de Altea, de casas brancas e cúpulas azuis, e de Guadalest, vila de interior suspensa sobre um desfiladeiro e uma albufeira, um dos destinos de excursão mais visitados de Espanha. Alicante, capital administrativa e a maior cidade da costa, fica a meio deste arco, na comarca do Alacantí, e funciona como o ponto de entrada natural — aeroporto, porto e a maior concentração de ligações da região. Mais a sul ainda, a Vega Baja del Segura leva a paisagem para outro registo: Orihuela e a sua huerta de citrinos, Guardamar e os pinhais fixadores de dunas, e Torrevieja, conhecida pelas lagoas salinas cor-de-rosa, exploradas para sal desde época romana e hoje reserva natural com flamingos. Entre a costa e o interior fica Elche, com o maior palmeral da Europa — mais de 200 mil palmeiras, herança da irrigação árabe, classificado Património Mundial pela UNESCO.
Uma fronteira disputada durante séculos
A região foi povoada por íberos, teve colónias gregas e cartaginesas (Dénia corresponde à antiga Hemeroskopeion) e passou depois para controlo romano, com Lucentum junto à atual Alicante. Ficou sob domínio muçulmano durante mais de cinco séculos, período que deixou marcas fortes na irrigação, na toponímia e na agricultura de sequeiro e regadio. A Reconquista trouxe-a para o Reino de Valência no século XIII, sob Jaume I, mas a fronteira com Castela e Múrcia manteve-se instável durante gerações. A expulsão dos mouriscos em 1609 esvaziou dezenas de povoações do interior, repovoadas depois com colonos de Maiorca e de outras zonas da Coroa de Aragão — um episódio que explica muita da distribuição atual de aldeias e sobrenomes na comarca.
Sol quase garantido e uma mesa de arroz e amêndoa
O clima é mediterrânico com traços semiáridos: a zona da Vega Baja está entre as mais secas de Espanha, com pouco mais de 300 mm de chuva por ano e mais de 300 dias de sol. Na mesa, o arroz domina — a banda, do senyoret, ou em caldeirada de peixe — ao lado de turrón, sobretudo o de Xixona (Jijona), amêndoa moída com denominação de origem própria, e de vinhos da DO Alicante, incluindo o raro Fondillón, envelhecido de forma oxidativa. Os nísperos de Callosa d'en Sarrià têm indicação geográfica protegida, e as tâmaras de Elche são das poucas cultivadas comercialmente na Europa.