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Região · Galicia

Galícia

No noroeste verde e atlântico da Espanha, a Galícia é outra coisa: chuva miúda, rias e marisco, aldeias de pedra e o fim do Caminho de Santiago. Fala a sua própria língua, o galego, e guarda bosques, hórreos e um mar bravo que os romanos julgaram ser o fim do mundo.

Destinos na região

3 destinos para explorar

Vista aérea da muralha romana de Lugo rodeando por completo a cidade velha, ao fim da tarde Galicia

Lugo

Dentro da única muralha romana do mundo que se percorre inteira a pé

melhor época: Jun → Ago
Vista da Ponte Romana sobre o rio Minho em Ourense, com o casco velho e a catedral ao fundo, envoltos em névoa Galicia

Ourense

Termas romanas fumegantes à beira do rio Minho, numa cidade galega que ninguém de fora costuma visitar.

melhor época: Mai → Set
A fachada barroca do Obradoiro da Catedral de Santiago de Compostela sobre a praça Galicia

Santiago de Compostela

O destino final do Caminho: uma cidade de pedra e chuva onde a catedral barroca encerra mil anos de peregrinação, no coração da Galícia atlântica.

melhor época: Jun → Set

Uma ponta da Espanha que fala outra língua

A Galícia ocupa o canto noroeste da península ibérica, entre o Atlântico e as montanhas que a separam de Castela e Leão e das Astúrias. É uma região de granito e água: rias profundas recortam a costa, rios como o Minho e o Sil talham vales fechados no interior, e a chuva — frequente ao longo de quase todo o ano — mantém tudo permanentemente verde. Tem língua própria, o galego, cooficial com o castelhano e falado com naturalidade nas ruas, nos mercados e nos letreiros. A história da região confunde-se com a do Caminho de Santiago: há mais de mil anos que peregrinos de toda a Europa atravessam a Galícia a pé rumo ao suposto túmulo do apóstolo Tiago, e essa rota — sobretudo o Caminho Primitivo, o mais antigo de todos — ainda hoje entra e sai das cidades da região, incluindo Lugo. Antes disso, os romanos já tinham deixado marca funda: muralhas, pontes, termas e a própria ideia de que este era o fim do mundo conhecido, o Finisterrae que dá nome a um dos cabos da costa.

Interior de pedra, costa de rias

Dentro da Galícia há duas paisagens distintas. A faixa costeira, com as rias que penetram fundo na terra e concentram a maior parte da população e do turismo de praia e marisco. E o interior, mais continental e menos percorrido, onde Lugo e Ourense mostram uma Galícia diferente: cidades de dimensão modesta, ritmo lento e um peso histórico romano muito concreto — a muralha de Lugo, património da UNESCO e a única fortificação romana do mundo que se percorre inteira a pé por cima, e as termas de Ourense, ainda alimentadas pelas mesmas águas quentes que os romanos já aproveitavam. Santiago de Compostela, capital administrativa e religiosa da região, funciona como charneira entre as duas Galícias: cidade de peregrinação e de granito, mas também porta de entrada para a costa e para as rias próximas. As três cidades ficam a cerca de uma hora e um quarto de distância entre si, o que torna razoável um circuito de carro que as encadeie numa semana, com folga para desvios à Ribeira Sacra ou à costa.

Uma mesa atlântica, um clima que não engana

A cozinha galega é uma das mais respeitadas de Espanha, construída sobre o que o mar e a terra dão sem artifício: polvo à feira, marisco das rias, pimientos de Padrón, caldo galego, empanada e queijo de tetilla, regados por vinhos brancos como o Albariño ou o Ribeiro. É também uma região onde a tapa ainda costuma vir incluída no preço da bebida, sobretudo no interior. O clima, atlântico e chuvoso, é parte da identidade mais do que um inconveniente a evitar: chove sobretudo entre outubro e maio, os verões são amenos e mais secos, e é essa humidade constante que sustenta o verde que dá nome à Galícia mais visual — a das aldeias de pedra, dos hórreos e dos bosques que nunca secam de vez.