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Região · Andalucía

Jaén

A província que quase todo o turismo atravessa sem parar, a caminho de Granada ou de Córdoba — e que produz mais azeite do que qualquer país do mundo fora de Espanha. No meio desse mar de oliveiras, Úbeda e Baeza guardam o conjunto renascentista mais puro do país, obra de Andrés de Vandelvira no século XVI e Património Mundial da UNESCO. É a Andaluzia sem multidões.

Destinos na região

1 destino para explorar

Fachada renascentista de pedra dourada da Sacra Capilla del Salvador, na Plaza Vázquez de Molina em Úbeda, ao entardecer Andalucía

Úbeda

Onde Vandelvira desenhou o Renascimento de Espanha, cercada pelo maior olival do mundo

melhor época: Mai → Out

Um mar de oliveiras entre serras

Jaén é, antes de mais, geografia de azeite. A província reúne o maior contínuo de olivais do planeta — mais de meio milhão de hectares que cobrem praticamente todo o relevo entre o vale do Guadalquivir e as serras que fecham o território a leste e a sul. Dessas serras, a mais relevante é o Parque Natural de Cazorla, Segura y las Villas, a maior área protegida de Espanha, onde nasce o próprio rio Guadalquivir antes de descer para irrigar — e para ser irrigado por — a paisagem olivícola que dá identidade a toda a região. Mais a norte, a Sierra Mágina forma outro maciço calcário que separa a Loma de Úbeda das terras de Granada. É uma Andaluzia de interior, sem costa, com verões longos e secos — Jaén capital regista com frequência as temperaturas mais altas da Espanha peninsular em julho e agosto — e invernos frios para padrão andaluz, sobretudo nas zonas de maior altitude.

Património que antecede e sucede o Renascimento

A capital, também chamada Jaén, guarda uma catedral renascentista que partilha autoria com o conjunto de Úbeda: Andrés de Vandelvira, o arquitecto que definiu o estilo da região no século XVI, trabalhou nas duas cidades quase em simultâneo. Mas a história de Jaén começa muito antes. Foi neste território, perto de Santa Elena, que se travou em 1212 a batalha de Las Navas de Tolosa, ponto de viragem na Reconquista peninsular. E foi em Porcuna, mais a oeste, que se descobriu um dos maiores conjuntos de escultura ibérica da Península, hoje disperso entre museus. A presença árabe deixou marca em fortificações como o Castillo de Santa Catalina, sobre a cidade de Jaén, e em rotas de peregrinação como a que ainda hoje leva milhares de fiéis ao Santuario de la Virgen de la Cabeza, perto de Andújar. Úbeda funciona como a porta natural para este conjunto: é onde o Renascimento de Vandelvira atinge a sua forma mais completa e onde a maioria dos visitantes decide, pela primeira vez, que vale a pena atravessar a província em vez de a contornar a caminho de Granada ou Córdoba.

Uma mesa definida pelo azeite

A gastronomia de Jaén segue a lógica do território: pratos de base humilde, pensados para o trabalho no campo, e o azeite virgem extra como ingrediente transversal a quase tudo — do ajoblanco às andrajos, um guisado de caça ou bacalhau com massa achatada típico do interior. Vilas como Cazorla, Baeza ou Alcalá la Real completam o mapa de comarcas que raramente aparecem nos itinerários clássicos de Andaluzia, mas que dão a Jaén o que talvez seja o seu maior atractivo: a possibilidade de visitar um património de nível UNESCO sem as multidões de Sevilha, Córdoba ou Granada, e a sensação pouco comum, para quem viaja no sul de Espanha, de percorrer estradas onde as oliveiras substituem por completo a paisagem à vista.