4 destinos para explorar
A maior meseta de Espanha
Castela e Leão é, por área, a maior comunidade autónoma de Espanha — quase 94 mil km², repartidos por nove províncias, mais do que muitos países europeus inteiros. Ocupa a maior parte da submeseta norte: um planalto a cerca de 700-800 metros de altitude, aberto e ventoso, onde o inverno é longo e seco e o verão traz calor intenso com noites frias. É clima continental no seu estado mais puro, e explica a paisagem de trigais dourados, encostas de vinha e vilas de pedra que se veem entre uma cidade e outra.
A região corresponde, grosso modo, aos antigos reinos de Leão e de Castela, unidos em 1230 sob Fernando III. Dessa história restam catedrais que continuam entre as mais importantes da Europa gótica — a de León, com os seus vitrais, é um dos exemplos mais completos do gótico francês em solo espanhol — e um património de castelos, muralhas e mosteiros que valeu à região o nome que ainda hoje leva. Parte do Caminho de Santiago Francês atravessa o território, ligando León a Burgos e ao resto da rota jacobeia, o que reforça o peso de Castela e Leão na história religiosa e cultural do país.
As quatro cidades que aqui exploramos ilustram facetas distintas dessa herança. León junta o gótico da catedral ao modernismo de Gaudí na Casa Botines. Salamanca tem a universidade mais antiga de Espanha, fundada em 1218, e um centro histórico em arenito dourado classificado pela UNESCO. Segovia guarda o aqueduto romano mais bem preservado da península e o Alcázar que terá inspirado castelos de conto de fadas. Valladolid, capital efémera de Espanha entre 1601 e 1606, tem uma das mais ricas coleções de escultura religiosa policromada do país.
Vinho e assado: a mesa da meseta
A gastronomia de Castela e Leão é robusta e de sabor definido, pensada para um clima de extremos. O prato mais associado à região é o lechazo asado, cordeiro de leite assado lentamente em forno de lenha, com Segovia a reivindicar também o cochinillo, o leitão assado, como especialidade própria. A charcutaria tem em Burgos a sua morcilla mais conhecida, e os queijos de Zamora e da zona pastoril figuram entre os melhores do país.
É também terra de grandes vinhos: a Ribera del Duero, ao longo do rio Duero entre Valladolid e Burgos, produz tintos de Tempranillo (aqui chamado Tinto Fino) reconhecidos internacionalmente, enquanto a Rueda é a referência espanhola para brancos de casta Verdejo. Mais a oeste, o Bierzo, perto de León, e o Toro completam um mapa vinícola denso.
Como se liga o território
As distâncias entre as quatro cidades tornam viável um circuito por estrada sem grandes exigências: Valladolid funciona como centro geográfico, a cerca de 110 km de Segovia e pouco mais de Salamanca, e a 130-140 km de León. Um itinerário lógico segue León – Valladolid – Salamanca – Segovia, ou a sequência inversa, com cada trajeto a rondar entre uma e duas horas e meia de carro.