Leste interior em 8 dias: Girona, Tarragona, Morella, Albarracín e Zaragoza
Roteiro de 8 dias de carro entre a Catalunha, o Maestrazgo e Aragão: cinco cidades, distâncias reais, onde dormir cada noite e em que época ir.
Quem planeja a Espanha costuma desenhar um arco de litoral a litoral. Este roteiro faz outra coisa: entra pelo nordeste, atravessa o Maestrazgo e a serra de Albarracín e termina no vale do Ebro. São cinco cidades com muralha, anfiteatro romano, vila de pedra vermelha e um palácio mouro, em oito dias e sem nenhuma das paradas de sempre.
O roteiro pede carro. Girona, Tarragona e Zaragoza têm alta velocidade, mas Morella e Albarracín não têm trem (comboio), e o ônibus (autocarro) público das duas é curto demais para servir de plano.
Em resumo
- Dias 1 e 2: Girona, duas noites.
- Dia 3: viagem a Tarragona, uma noite.
- Dia 4: estrada até Morella, uma noite.
- Dias 5 e 6: Albarracín, duas noites.
- Dias 7 e 8: Zaragoza, uma noite e a manhã do último dia.
São sete noites e cerca de 705 km de estrada entre as cidades, somando os trechos abaixo. O carro pode ser pego em Barcelona ou no aeroporto de Girona e devolvido em Zaragoza. Devolução em outra cidade costuma ter taxa, então confira na hora de reservar.
Dias 1 e 2: Girona
Girona cabe em um dia e meio sem pressa. O primeiro dia é para a cidade velha, na ordem que poupa as pernas: catedral de Santa María, no ponto mais alto, com a nave gótica única de 22,98 metros de largura, a mais larga do mundo entre as góticas, e sua escadaria barroca de 90 degraus. Depois, o Call, o antigo bairro judeu, e o Museu de História dos Judeus. O fim da tarde é das casas coloridas sobre o rio Onyar e da Ponte de Ferro, de 1877.
O segundo dia começa pela muralha, no Passeig de la Muralla, que dá a melhor vista da cidade velha, e termina nos Banys Àrabes, que não são árabes, e sim um edifício românico cristão. Se sobrar tarde, dá para separar uma hora para o mercado do Lleó.
Girona fica a cerca de 100 km de Barcelona pelo painel do site, e o aeroporto de Girona-Costa Brava está a 12 km da cidade. Para quem vem de Lisboa, o mais simples é voar até Barcelona ou Girona.
Dia 3: Girona a Tarragona
O trecho é de 191 km e cerca de 2h10 de carro pelo OSRM, o mesmo roteador usado nos cálculos do site. O trem de alta velocidade também liga as duas cidades, mas a estação de alta velocidade de Tarragona fica a 10 km do centro, e esse deslocamento entra na conta.
Tarragona pede a tarde. A Parte Alta, o casco antigo, coincide com o primeiro assentamento romano. O anfiteatro, do século I, guarda no interior restos de uma basílica visigótica e de uma igreja românica, e o circo romano está no casco antigo, com restos visitáveis. O conjunto arqueológico de Tarraco, com catorze lugares, é Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 2000. Ao fim do dia, o Balcón del Mediterrâneo, no fim da Rambla Nova, dá vista do anfiteatro e do mar, e o Serrallo, bairro de pescadores, concentra restaurantes de peixe.
Dia 4: Tarragona a Morella
Saia cedo, depois de ver a catedral de Santa Tecla, no ponto mais alto da cidade. São 169 km e cerca de 2h15 pelo OSRM. Morella fica a 985 metros de altitude, no norte de Castellón.
Chegue à tarde. O castelo, a 1.072 metros, abre todos os dias, das 11h às 19h de abril a setembro e das 11h às 17h de outubro a março, e a entrada geral custa 5 euros, segundo o turismo municipal. Com alerta meteorológico laranja ou vermelho, não abre; e os mais de 90 degraus deixam de fora cadeira de rodas e carrinho de bebê. Antes do pôr do sol, vale dar a volta na muralha, que tem 2.500 metros de perímetro, sete portas históricas e mais de uma dúzia de torres, e entrar na basílica de Santa María la Mayor, gótica, dos séculos XIII a XVI.
Dia 5: Morella a Albarracín
É o trecho mais longo: 167 km e cerca de 2h45 pelo OSRM, por estradas de serra. Se quiser ver as pinturas rupestres de Morella la Vella, a cerca de 6 km do centro e dentro do conjunto de arte rupestre do arco mediterrâneo, Patrimônio da Humanidade desde 1998, faça isso de manhã e antes de sair. A visita exige reserva prévia no posto de turismo, por telefone, WhatsApp ou e-mail, e só se chega de carro próprio.
A vila, Monumento Nacional desde 1961, tem a cor do rodeno, um arenito avermelhado, e desce por um esporão rochoso que o rio Guadalaviar quase cerca. A Plaza Mayor, com a casa consistorial do século XVI, é o ponto de partida.
Dia 6: Albarracín
O dia todo em Albarracín é o que a vila merece. De manhã, a ordem que poupa as pernas: Plaza Mayor, Casa de la Julianeta, catedral do Salvador, com o museu diocesano e suas tapeçarias flamengas, e o alcázar, aberto à visita depois das escavações de 2004 a 2006. Depois do almoço, a muralha do século XIV até a Torre del Andador, de aparelho muçulmano.
A tarde vai para os Pinares de Rodeno, paisagem protegida desde 1995, com 6.829 hectares de arenito vermelho e pinheiro. Ali ficam abrigos com arte rupestre levantina, e a prefeitura lista visitas guiadas às pinturas. A altitude é de 1.171 metros pelo painel do site, e a mínima de julho é de 13 °C.
A vila não é Patrimônio da Humanidade. Consta apenas como proposta para a lista da Unesco. O que tem o título é o conjunto de arte rupestre do arco mediterrâneo.
Dia 7: Albarracín a Zaragoza
O trecho é de 178 km, cerca de 2h15 de estrada. Em Zaragoza, tem tarde livre: a Basílica del Pilar, descrita como o maior templo barroco da Espanha, com afrescos de Goya e de Bayeu, e a Lonja, renascentista, ficam na mesma praça. Para o fim do dia, El Tubo, a zona de tapas mais tradicional da cidade, entre El Coso e a Calle Alfonso I, e a Ponte de Pedra, cujas obras começaram em 1401.
Dia 8: Zaragoza
A manhã é para a Aljafería, palácio do século XI, único testemunho conservado de um grande edifício hispano-muçulmano da época das taifas, hoje sede das Cortes de Aragão. Ao lado, La Seo, a catedral do Salvador, mistura românico, gótico, mudéjar e barroco, e o cimbório, a abside e o muro mudéjar pertencem ao bem de Patrimônio Mundial da arquitetura mudéjar de Aragão. O Museu de Tapeçarias fica na catedral.
Na saída, Zaragoza tem aeroporto a 10 km do centro e a estação Zaragoza-Delicias, que reúne trens e rodoviária. A linha de alta velocidade liga a cidade a Madri em 90 minutos e a Barcelona desde 2008.
Quando ir
Esta rota sobe e desce de altitude, e o clima muda com ela. Pelo painel do site, em julho a máxima passa de 30 °C em Girona (31 °C), Tarragona (30 °C), Zaragoza (33 °C) e Albarracín (32 °C), enquanto Morella fica em 27 °C. Em janeiro, Morella tem máxima de 7 °C e mínima de 0 °C, e Albarracín, máxima de 10 °C e mínimas abaixo de zero. Nessa época, confira se as estradas de serra estão limpas.
Abril, maio e setembro, com máximas entre 14 °C e 27 °C nas cinco cidades, são as melhores janelas para o conjunto. Em maio, Morella tem 71 mm de chuva e Albarracín, 50 mm, os maiores valores do painel nas duas vilas, então leve casaco de chuva.
Algumas datas mexem com a reserva: o Temps de Flors de Girona, na terceira semana de maio; a Santa Tecla de Tarragona, de 15 a 24 de setembro; a Fira de Morella, no segundo fim de semana de setembro; as festas patronais de Albarracín, por volta de 8 de setembro; e o Pilar de Zaragoza, em 12 de outubro.
Distâncias do roteiro
- Girona a Tarragona: 191 km, cerca de 2h10.
- Tarragona a Morella: 169 km, cerca de 2h15.
- Morella a Albarracín: 167 km, cerca de 2h45.
- Albarracín a Zaragoza: 178 km, cerca de 2h15.
Somam 705 km de estrada, mais os deslocamentos do aeroporto e entre Barcelona e Girona.
Perguntas frequentes
Dá para fazer o roteiro sem carro?
Só em parte. Girona, Tarragona e Zaragoza têm estação de alta velocidade, mas Morella e Albarracín não têm trem. O ônibus de Albarracín sai de Teruel uma vez por dia, sem serviço aos domingos e feriados, e o de Morella sai de Castelló, sem serviço aos sábados, domingos e feriados. Sem carro, o melhor é cortar as duas vilas ou fazê-las em bate-volta organizado.
Dá para fazer em 6 dias?
Dá, tirando uma noite de Girona e uma de Albarracín. O que se perde é o segundo dia de cada cidade: a muralha de Girona e os Pinares de Rodeno.
Posso trocar a ordem?
Pode. O eixo é sempre Barcelona a Zaragoza passando pelo interior. Quem vem de Madri pode inverter o sentido e começar por Zaragoza, que tem AVE de 90 minutos.
Quanto tempo reservar para Albarracín?
Duas noites valem a pena, por causa dos Pinares de Rodeno e da hora do fim da tarde. Com uma noite só, os Pinares de Rodeno ficam de fora ou viram parada rápida.
Quando o castelo de Morella está fechado?
Quando há alerta meteorológico laranja ou vermelho, segundo o turismo municipal. Confira o horário antes de subir.
- Wikipedia (es), Gerona: catedral, Call, transportes e clima
- Wikipedia (es), Tarragona: conjunto arqueológico de Tarraco, estações e festas
- Wikipedia (es), Morella: muralhas, castelo, basílica e Sexenni
- Wikipedia (es), Albarracín: história, Pinares de Rodeno e arte rupestre
- Wikipedia (es), Zaragoza: Pilar, La Seo, Aljafería e linha de alta velocidade
- Morella Turística, Como llegar: distâncias de carro e ônibus; castelo e pinturas de Morella la Vella
- Morella Turística, O castelo: horário, entrada e acesso
- Ayuntamiento de Albarracín, Cómo llegar: estradas, distâncias e ônibus desde Teruel
- AEMET, valores climatológicos normais 1991–2020
- OpenStreetMap / OSRM, distâncias e tempos de carro entre as cidades do roteiro
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