Excursão aos lagos de Covadonga
Paisagens dos sonhos e uma grande tradição são os protagonistas desta excursão, na qual visitaremos os famosos lagos de Covadonga e o Santuário. Imperdível!
Com duas noites, Cangas de Onís vira base de montanha. O primeiro dia cumpre o programa clássico: os lagos, o santuário e a ponte. O segundo é de atividade, e a escolha depende do gosto e do preparo: a descida do rio Sella de canoa, mais leve, ou um dia inteiro nos Picos da Europa, de jipe e a pé. Se o tempo fechar na montanha, troque a ordem dos dias: o rio e a vila aguentam céu cinza, os lagos não.
Suba cedo. Os lagos Enol e Ercina ficam a 14,5 km de estrada do santuário, numa subida que vence quase mil metros de desnível. Em 2026, de 1º de junho a 18 de outubro, só sobem ônibus e táxis autorizados; o mesmo vale para a Semana Santa e para os fins de semana de maio. As três linhas de ônibus partem de Cangas de Onís e dos estacionamentos de El Bosque, Muñigu, El Repelao e El Peregrino, este já em Covadonga.
A excursão aos lagos de Covadonga em grupo reduzido leva três horas e meia e sai de Cangas de Onís. Para ir por conta própria, compre o bilhete com hora marcada e chegue ao ponto de partida com folga, porque nos dias cheios a espera por vaga no estacionamento pode chegar a uma hora.
Lá em cima, ande. O Enol é o primeiro lago, e uma estradinha curta leva ao Ercina. Em 25 de julho, a Vega de Enol recebe a Fiesta del Pastor, com missa campestre, conselho de pastores para repartir os pastos e provas rurais; nesse dia e na tarde da véspera o regime de acesso muda.

Na descida, pare em Covadonga. A história do lugar é a de um incêndio. Em 1777, o fogo destruiu o templo antigo, que ficava colado à gruta e era todo revestido de madeira. Pediu-se esmola em toda a Espanha para um santuário monumental, mas o projeto clássico de Ventura Rodríguez nunca saiu do papel. Um século depois, com o apoio do rei Alfonso XII, a obra andou com outro desenho, neomedieval, ideia do erudito alemão Roberto Frassinelli, conhecido como o alemão de Corao. Como ele não era arquiteto, Federico Aparici assumiu a construção, entre 1877 e 1901.
Veja a Santa Cueva, a basílica e a Real Colegiata de San Fernando, do século XVII, de aspecto austero. O obelisco com a Cruz de la Victoria, de 1857, marca o lugar onde a tradição diz que Pelayo foi coroado rei.
Volte a Cangas de Onís na lançadeira e termine o dia na ponte medieval. Se for 12 ou 13 de junho, a vila está em festa: na noite do dia 12 acende-se a joguera de San Antonio, no carvalhal da capela do santo, e no dia 13 há missa, procissão e trajes regionais.
O Sella é o rio do Descenso Internacional, a prova de canoagem que no primeiro sábado de agosto depois do dia 2 percorre 20 km entre Arriondas e Ribadesella. No resto da temporada, o rio se desce por lazer. A descida do rio Sella de canoa ocupa cerca de seis horas.
Quem prefere montanha tem duas opções de dia inteiro, de onze horas cada. O tour de jipe com trilha pela rota do Cares junta o trajeto de jipe e a caminhada pelo desfiladeiro mais conhecido dos Picos. A rota do Cares liga Poncebos, nas Astúrias, a Caín, em León, por um caminho de uns 12 km talhado na rocha, sem proteção em muitos trechos. O tour de jipe pelos Picos da Europa é a versão sem a trilha do Cares.
Seja qual for a escolha, o cenário é o Parque Nacional dos Picos da Europa. São 67.127 hectares divididos entre Astúrias, León e Cantábria, com o ponto mais alto no Torrecerredo, a 2.648 metros. O maciço ocidental foi declarado parque em 24 de julho de 1918, com o nome de Montaña de Covadonga, o primeiro espaço protegido da Espanha. Desde 2003 é também reserva da biosfera.
Se sobrar tarde na vila, há duas visitas menores. A capela de Santa Cruz, sobre o dólmen, e, para quem marcou hora, a Cueva del Buxu, em Cardes: sobe-se a pé por uma trilha de um quilômetro, e a visita guiada dura uns 40 minutos, em grupos de seis.
Feche com os queijos. O Gamonéu é feito com leite cru de vaca, ovelha e cabra, defumado em fogo de lenha e curado, em Onís, em grutas naturais. É um dos azuis tradicionais dos Picos, ao lado do Cabrales, do Valdeón e do Bejes-Tresviso.
Na estação de Oviedo, referência do painel, chove de 7 a 14 dias por mês o ano inteiro. Com tempo ruim, deixe os lagos para a primeira janela de céu aberto e use o dia fechado no santuário, onde a gruta e a basílica dão abrigo, e na vila.
Na vila, para ter ônibus, restaurantes e a ponte a pé. A segunda noite evita a pressa de quem vem de Oviedo, a 74 km pelas contas do painel, e precisa voltar no mesmo dia.
A rota do Cares é difícil? O desnível é moderado e o caminho tem cerca de dois metros de largura, mas corre à beira de precipícios sem proteção. Não é passeio para quem tem vertigem.
Dá para fazer o Sella com crianças? Confirme a idade mínima e as condições do rio com quem organiza a descida.
Um dia não basta? Basta para os lagos, Covadonga e a ponte, como no roteiro de um dia. O segundo dia é para o rio ou para os Picos.
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