Free tour por Vitoria
Neste free tour por Vitoria, iremos descobrir a história dessa cidade do País Basco passeando por ruas que inspiraram várias obras literárias.
Vitoria-Gasteiz cabe em dois dias sem correria, e o segundo é o que muda a visita. O primeiro fica no centro: a colina medieval, conhecida como “amêndoa”, e as praças neoclássicas ao pé dela. O segundo sai para o verde. Do parque de La Florida parte o passeio de La Senda, com mais de dois quilômetros, até a basílica românica de Armentia. À tarde, o bonde (tranvía) leva aos humedais de Salburua. A ordem é pensada para que a parte íngreme fique no primeiro dia e o segundo seja quase todo plano.
Comece na plaza de la Virgen Blanca. No mapa, a plaza de España fica a uns 75 metros dela, e a catedral de Santa María está a uns 470 metros, em linha reta e em subida. As duas praças foram projetadas por Justo Antonio de Olaguíbel, no fim do século XVIII, para vencer o desnível entre a cidade velha e o Ensanche, que então começava a ser construído. A plaza de España, porticada, foi concebida em 1781 para festas, touradas e mercados.
Dali, Los Arquillos sobem em degraus pela colina. É uma rua de pórticos do século XVIII, feita por Olaguíbel com Díez de Güemes, que desce da plaza del Machete até os fundos da plaza de España. Na plaza del Machete fica o palácio de Villa Suso, de cerca de 1539, em forma de U porque teve de se encaixar na muralha e no desnível do terreno. Hoje a prefeitura o usa para congressos e exposições, então a visita depende da agenda do dia.
Para entender o conjunto antes do almoço, o free tour por Vitoria dura 1h45 e atravessa o casco antigo pelas ruas que serviram de cenário a obras literárias.
Depois do almoço, suba à catedral de Santa María. Os últimos trechos da muralha primitiva apareceram em 2001, sob a nave, durante as obras de restauração. Ela cercava a antiga vila com uns 900 metros de perímetro. A catedral segue o modelo “aberto por obras”: visita-se o templo em restauração, e isso mudou o casco histórico, que passou a receber muito mais gente.
A uns 180 metros dali, em linha reta, fica o palácio de Bendaña, de 1525, que abriga o Museu Fournier de Naipes. A fábrica de baralhos de Heraclio Fournier, fundada em 1868, foi uma das atividades típicas da cidade, e o museu guarda a maior coleção de baralhos do mundo, formada com peças da própria empresa. Ao lado, o BiBat reúne também o Museu de Arqueologia de Álava. Quem gosta de objetos curiosos pode incluir o Museu dos Faroles, no casco medieval, com as peças de vidro colorido que desfilam em procissão na abertura das Fiestas de La Blanca.
A noite é de pintxos, e a cidade tem mais de vinte rotas de pintxo-pote, a ronda em que cada bebida vem com uma tapa. A bebida costuma ser vinho da Rioja Alavesa. Há também uma rota das barricas e outra das cervejas. Em alguns circuitos, parte do que os donos dos bares arrecadam vai para a promoção de grupos musicais locais. Quem prefere começar com um guia pode fazer o tour por Vitoria com degustação de pintxos, de 2 horas.
O segundo dia começa no parque de La Florida, com 35.000 m², desenhado no século XIX em estilo romântico. Tem 95 espécies de árvores e 79 de arbustos, além do quiosque de música dos anos 1890. A Senda nasce ali e segue sob castanheiros por mais de dois quilômetros. No caminho estão os jardins do palácio Zulueta, o parque do Prado e, no paseo de Fray Francisco, o palácio de Ajuria-Enea, sede do Governo Basco desde 1980. O Museu de Armaria e o Museu de Belas-Artes de Álava também ficam ali, a uns 400 metros do parque em linha reta. Confirme os horários no posto de turismo.
Ao fim da Senda está a basílica de San Prudencio, em Armentia, exemplar do românico basco, levantada nas últimas décadas do século XII. O povoado foi um ponto importante da Alta Idade Média por estar no cruzamento do Caminho de Santiago com a antiga calçada romana entre Astorga e Bordéus. Na festa do padroeiro de Álava há romaria nas campas em volta; veja a data no site de turismo de Vitoria-Gasteiz. No bosque de Armentia vivem javalis, esquilos e aves de rapina.
Se preferir ver o Anillo Verde de bicicleta, o tour de bicicleta por Vitoria, de 2h30, passa pelos parques e pelas ruas da cidade. A cidade é plana, salvo o casco histórico, e tem uma extensa rede de vias ciclísticas.
O Anillo Verde, cinturão de parques em volta da cidade, tem seis áreas: o rio Zadorra, os humedais de Salburua, Olárizu, o bosque de Armentia, Zabalgana e Errekaleor. A ONU o incluiu, no ano 2000, entre as cem melhores práticas urbanas do mundo.
Salburua é uma das áreas mais importantes do País Basco para a reprodução de aves aquáticas, onde vivem cerca de duzentas espécies. O cervo-vermelho e o vison-europeu foram introduzidos ali no fim dos anos 1990. O bonde que sai da parada Florida chega ao bairro de Salburua, onde ficam os humedais, desde abril de 2023. Confira horários e trajeto no site do operador antes de ir.

Volte ao centro para a última noite. O Mercado de Abastos fica a uns 570 metros da plaza de la Virgen Blanca, em linha reta, e ali se faz uma degustação de vinhos Eguren Ugarte, de 90 minutos, com queijo e embutidos ibéricos. Depois, um jantar calmo: caracóis à alavesa, menestra de verduras ou favas, e o goxua de sobremesa.
Vitoria tem chuva em todos os meses, e novembro chega a 91 mm em 11 dias. Nos dias molhados, troque o passeio por museus: o Artium, de arte contemporânea, aberto em 2002, guarda cerca de 3.000 peças e obras de Miró, Chillida e Picasso, e fica a uns 530 metros da Virgen Blanca. O Museu Fournier e o Museu de Belas-Artes seguram outra manhã.
O Ensanche, em volta da Virgen Blanca, é plano e deixa as praças e o casco a poucos passos. O casco medieval fica na colina, com ruas estreitas e ladeiras, mas ali as rampas mecânicas do Cantón de la Soledad poupam as pernas. Perto da estação, a uns 570 metros da praça em linha reta, o trem (comboio) chega direto ao roteiro. De 4 a 9 de agosto, nas Fiestas de La Blanca, a hospedagem some; reserve com antecedência.
Dois dias são demais para Vitoria? Para quem só quer ver as duas catedrais, talvez. O segundo dia vale pelo verde: La Senda, Armentia e Salburua mostram o que as listas de monumentos deixam de fora.
Quando é a melhor época? De junho a setembro, com máximas de 23 a 26 °C. O inverno é frio, com máxima de 9 °C e mínima de 1 °C em janeiro.
Dá para fazer La Senda sem caminhar muito? Dá. A cidade é plana fora do casco, então a bicicleta resolve o trajeto. Quem prefere andar pode parar nos jardins do palácio Zulueta e voltar.
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