Free tour por Zaragoza
Os romanos fundaram Caesaraugusta. Na época muçulmana, passou a ser Saraqusta. Viva a história da cidade neste free tour por Zaragoza.
A cidade tem mais de 2.600 anos de história documentada, e dois dias deixam ver várias dessas camadas sem pressa. O primeiro fica na Plaza del Pilar e no Tubo, onde estão a basílica, a catedral, a Lonja e as tapas. O segundo vai à Aljafería, à Caesaraugusta romana, ao Museu Goya e, se a tarde permitir, ao parque. O nome de Zaragoza vem de Caesaraugusta, colônia romana fundada por Augusto, quase certamente em 14 a.C., sobre a cidade ibérica de Salduie. Foi ocupada pelos muçulmanos em 714, conquistada de volta por Afonso I de Aragão, o Batalhador, em 1118, e tem hoje 693.091 habitantes (INE, 2025).
A basílica é o maior templo barroco da Espanha. Lá dentro estão o retábulo do altar-mor, obra de Damián Forment, a Santa Capilla desenhada por Ventura Rodríguez em 1750 e afrescos de Goya e Francisco Bayeu. A tradição diz que a Virgem apareceu a Santiago sobre um pilar em 2 de janeiro do ano 40; não há documento que prove, e o nome “Santa María del Pilar” só aparece por escrito em 1297 e 1299. Na própria basílica, o Museu Pilarista reúne peças da devoção à Virgem.
A visita guiada pela Basílica do Pilar dura 90 minutos. Confirme no posto de turismo os horários de culto e de visita, que variam.
La Seo, a catedral do Salvador, mistura românico, gótico, mudéjar e barroco sobre a antiga mesquita, que por sua vez estava sobre um templo romano. O cimbório, a abside e o muro mudéjar fazem parte do bem de Patrimônio Mundial da arquitetura mudéjar de Aragão, e o Museu de Tapeçarias tem uma das melhores coleções da Europa. A visita guiada à Catedral de El Salvador dura 90 minutos.
A Lonja, renascentista, fica na mesma praça e foi construída no reinado de Fernando, o Católico. A Ponte de Pedra, sobre o Ebro, teve as obras começadas em 1401, sob Gil de Menestral, e duraram cerca de quarenta anos. Os parapeitos vieram depois, no século XVIII. No rio há um serviço turístico de barco, com parada ao pé da basílica. Confirme temporada e horário.
O Tubo é um emaranhado de ruas estreitas entre El Coso, Alfonso I, Don Jaime I e Méndez Núñez. É ali que ficam as tapas mais tradicionais de Zaragoza, e a Casa Lac, aberta em 1825, aparece entre os restaurantes mais antigos da Espanha. A verdura da horta do Ebro, com a borragem em primeiro plano, é o ingrediente local. Entre os pratos há a ensalada aragonesa, as migas, as magras con tomate, o arroz a la zaragozana, o pollo a la chilindrón e o ternasco asado.
Do século XI, a Aljafería é o único testemunho conservado de um grande edifício da arte hispano-muçulmana da época das taifas. Al-Muqtadir começou a construí-la em 1065 como palácio de recreio. Serviu a reis de Aragão, como Pedro IV e Fernando, o Católico, depois à Inquisição, e hoje abriga as Cortes de Aragão. Não saia sem ver o mihrab, o pátio de arcos de ferradura entrelaçados e a escadaria renascentista. Com guia, a visita guiada ao palácio da Aljafería leva duas horas e quinze. Como as Cortes funcionam ali, confirme o horário antes.
Quatro museus mostram a Caesaraugusta romana: o do Teatro, o do Foro, o das Termas Públicas e o do Porto Fluvial. O tour pela Zaragoza romana dura duas horas e meia e costura esses lugares. Se preferir um museu de pintura, o Museu Goya expõe a coleção de José Camón Aznar, do século XV ao XX, e a coleção completa de gravuras de Goya.
No século XVI, com a construção da Lonja, a cidade renasceu e ficou conhecida como a das cem torres, por causa das muitas torres mudéjares. A Expo Zaragoza de 2008, dedicada à água, deixou obras como o Pavilhão Ponte e a Torre del Agua. Se sobrar tempo, vale olhar para essas duas camadas da cidade, a antiga e a da Expo.
O Parque Grande José Antonio Labordeta encerra a tarde: na entrada ficam a seção de etnologia do Museu de Zaragoza, numa réplica de casa de Ansó, e a casa de Albarracín, com a seção de cerâmica.
No segundo jantar, repita o Tubo ou caminhe até a ponte de Pedra. Na doçaria, procure os adoquines del Pilar, as frutas de Aragón, o roscón de San Valero e, no Natal, os guirlaches. O Pilar, em 12 de outubro, é a festa mais importante e coincide com o Dia da Hispanidade, com a ofrenda de flores à Virgem. A Semana Santa, de interesse turístico internacional, tem mais de cinquenta procissões em que o tambor é protagonista.
O clima é seco: 17 a 40 mm por mês pelo painel. Mesmo assim, num dia de chuva a Aljafería, os museus romanos e o Goya funcionam como abrigo, e a Ponte de Pedra e o Parque Grande ficam para o intervalo de sol.
Perto da Plaza del Pilar e do Tubo, a pé, é a base que mais economiza tempo. Quem chega de trem desembarca na estação intermodal Zaragoza-Delicias, que reúne trens e rodoviária central. O aeroporto fica a 10 km do centro, e a linha de ônibus 505 tem horário coordenado com os voos.
Dois dias bastam? Bastam para o essencial. Pelo painel, o ideal são dois ou três dias.
Vale ir de Madri num dia? O AVE liga as duas cidades em 90 minutos, mas com dois dias de roteiro vale dormir em Saragoça.
Faz frio? No inverno a máxima média é de 11 °C em janeiro.
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